Empresa citada em investigação sobre possível lobby de Lulinha soma R$ 81 milhões em contratos federais.

Inquérito autorizado pelo STF apura suspeitas de tráfico de influência e corrupção; defesa nega irregularidades nas contratações.

Postado em 04/08/2026
Empresa citada em investigação sobre possível lobby de Lulinha soma R$ 81 milhões em contratos federais.
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Por Síbylle MachadoComercial

A empresa de tecnologia 3Structure IT, citada em uma investigação da Polícia Federal sobre uma possível atuação de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, junto ao governo federal, acumulou seis contratos públicos que somam aproximadamente R$ 81,19 milhões.

Segundo levantamento publicado pelo Poder360, cinco dos seis contratos foram celebrados durante o atual governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O acordo mais antigo foi assinado em novembro de 2022, ainda durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ao menos cinco contratações foram precedidas por processos licitatórios.

Os contratos envolvem serviços de tecnologia da informação, como armazenamento e proteção de dados, sistemas de backup, recuperação de informações e suporte tecnológico. Entre os órgãos atendidos estão o Exército Brasileiro, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, o Ministério da Educação e outras estruturas do governo federal.

Um dos principais contratos foi firmado com o Ministério do Desenvolvimento Social em dezembro de 2023. O acordo, no valor inicial de R$ 31,17 milhões, prevê a sustentação e a migração do ambiente de análise de dados da pasta, com vigência inicial até abril de 2027. O documento oficial informa que a contratação foi decorrente de pregão eletrônico.

Valores apresentam diferenças

O valor de R$ 81,19 milhões representa a soma dos contratos, pagamentos e aditivos identificados no levantamento. Isso não significa necessariamente que todo o montante já tenha sido efetivamente transferido à empresa.

Outro levantamento, divulgado pela CNN Brasil, aponta que a 3Structure IT possui quatro contratos vigentes que totalizam cerca de R$ 55,72 milhões. Os registros de pagamentos, despesas, empenhos e notas fiscais relacionados à empresa somam aproximadamente R$ 46,92 milhões desde 2023.

Investigação autorizada pelo STF

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou no dia 30 de julho a abertura de um inquérito solicitado pela Polícia Federal para investigar suspeitas de tráfico de influência e corrupção envolvendo Lulinha.

A apuração busca esclarecer se o filho do presidente teria utilizado sua influência para auxiliar empresas do setor de tecnologia na obtenção de negócios junto ao governo federal, incluindo contratos relacionados à Dataprev.

A Polícia Federal também investiga a relação de Lulinha com Cléber Ribas de Oliveira, ligado à 3Structure IT. Entre os elementos analisados estão registros de viagens e possíveis encontros entre os envolvidos. Essas informações integram uma linha de investigação e ainda não representam comprovação da prática de crimes.

Até o momento, não há condenação nem denúncia aceita pela Justiça relacionada aos fatos investigados. A abertura do inquérito permite que a Polícia Federal realize diligências e reúna elementos para verificar se houve ou não irregularidades.

O que dizem as defesas

A defesa de Lulinha afirma que não existem fatos objetivos que justifiquem a investigação e classifica o inquérito como uma tentativa de busca genérica por provas, com possível finalidade política e eleitoral.

Já a defesa do dirigente da 3Structure IT sustenta que os contratos foram firmados com transparência, respeito à legislação e sem intermediação de terceiros. A empresa também afirma que atua no setor de proteção de dados e que as contratações seguiram os procedimentos legais aplicáveis.

As suspeitas continuam sob investigação da Polícia Federal, com acompanhamento do Supremo Tribunal Federal.