Moraes dá prazo de 48 horas para Bolsonaro explicar uso de vídeo com IA em convenção do PL

Ministro do STF afirma que autorização para divulgação pode representar descumprimento de medida cautelar; ausência de autorização poderá ser analisada sob a legislação eleitoral.

Postado em 29/07/2026
Moraes dá prazo de 48 horas para Bolsonaro explicar uso de vídeo com IA em convenção do PL
Avatar
Por Síbylle MachadoComercial

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) apresente, no prazo de 48 horas, esclarecimentos sobre a utilização de um vídeo produzido com inteligência artificial exibido durante a convenção nacional do Partido Liberal (PL), que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

Na decisão, Moraes solicita que a defesa informe se o ex-presidente autorizou ou não a produção e a divulgação do material, que simulava sua imagem e voz em uma mensagem de apoio ao filho.

Segundo o ministro, caso fique comprovado que Bolsonaro autorizou a utilização do vídeo, a conduta poderá ser interpretada como descumprimento das medidas cautelares impostas pela Justiça, uma vez que ele cumpre prisão domiciliar e está impedido de realizar manifestações de natureza político-eleitoral. Nesse cenário, Moraes afirma que poderá avaliar a revogação da prisão domiciliar, com retorno ao regime fechado.

Por outro lado, se a defesa informar que não houve autorização para o uso da imagem e da voz do ex-presidente, o ministro aponta que a situação poderá caracterizar eventual infração à legislação eleitoral por parte dos responsáveis pela divulgação do conteúdo.

 

Vídeo foi exibido durante convenção

A gravação apresentada na convenção do PL utilizava inteligência artificial para reproduzir a aparência e a voz de Jair Bolsonaro. Logo no início, o próprio vídeo informava que se tratava de uma simulação criada por IA.

Na sequência, a representação digital do ex-presidente declarava apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro e pedia que os eleitores recebessem o candidato "de braços abertos".

Possível enquadramento na legislação eleitoral

Na decisão, Alexandre de Moraes também lembrou o entendimento recente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o uso de conteúdos sintéticos produzidos por inteligência artificial em campanhas.

Segundo o ministro, se a utilização da imagem e da voz ocorreu sem autorização, o caso poderá ser analisado à luz das normas que proíbem a divulgação de conteúdos manipulados capazes de induzir o eleitor ao erro durante o processo eleitoral.

O magistrado destacou ainda que já havia determinado anteriormente que Jair Bolsonaro não participasse da divulgação de manifestações político-eleitorais, inclusive por meio de terceiros, enquanto perdurassem as restrições impostas pela Justiça.

A defesa do ex-presidente deverá apresentar os esclarecimentos solicitados dentro do prazo fixado pelo STF.