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Padre Robson afirma em gravação que é "o chefe da quadrilha"

Na reunião, a equipe jurídica e o padre articulam estratégias para ocultar a ilegalidade nos contratos de compras realizadas em nome de terceiros pela Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe).
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Fonte: Reprodução DM

O padre Robson de Oliveira Pereira, que é investigado por supostos desvios de dinheiro de doações dos fiéis, afirmou em um áudio que participava de esquema para fraudar contratos e tinha conhecimento do risco de ser preso.

O próprio padre fez a gravação durante uma reunião com advogados, que divulgada pelo Jornal da Record na quarta-feira, 24. O Ministério Público de Goiás (MPGO) apreendeu o arquivo e fez a perícia.

Um novo pedido de prisão preventiva da Polícia Federal contra o padre e mais quatro pessoas por corrupção ativa é analisado pelo Supremo Tribunal de Justiça (STJ), seis meses após a Corte manter interrompida uma investigação criminal contra o religioso.

Na reunião, a equipe jurídica e o padre articulam estratégias para ocultar a ilegalidade nos contratos de compras realizadas em nome de terceiros pela Associação Filhos do Pai Eterno (Afipe), comandada por Robson até agosto de 2020, quando ele foi afastado da instituição após a MPGO entrar com a Operação Vendilhões.

Tanto o padre, quanto a equipe reconhecem que os contratos poderiam ser alvos de investigação no futuro, dada a dificuldade para esclarecer a relação da instituição com investimentos imobiliários.

Confira parte da conversa:

Advogada (nome não divulgado): Da representação nos negócios de investimentos na área imobiliária. Isso é muito ruim.

Advogado Klaus Marques: Quer dizer, eu estou assumindo que eles eram seus representantes nos negócios e investimentos na área imobiliária.

Advogada: e rádios.

Padre Robson: Isso não é bom.

Advogada: De jeito nenhum. Isso é a pior coisa que o senhor pode fazer.

Alessandra (funcionária da Afipe): Isso aqui é péssimo também. Investimentos na área imobiliária, tendo em vista tudo que, de fato, todo mundo sabe que eles fizeram, foi o quê? Um roubo, né?

Padre Robson: O povo tem essa ideia, né? (…)

Alessandra: Está oficializando, está oficializando.

Padre Robson: (…) Eu estou dando legitimidade para uma coisa ilegítima, porque eu considero que foi estelionato aquilo lá. Os caras lá já falavam: olha, você vai passar, por fora, para mim, tanto. Eu, de bobão… complicado isso aqui. Não está bom, não. Isso aqui é a mesma coisa de estar assinando um mandado de prisão.

A conversa também mostra que o religioso já suspeitava de ser alvo de uma operação policial e que ele poderia ir parar na prisão.

Padre Robson: Ô, gente. Lá no inquérito policial, basta eu apresentar um contrato de parceria contratual.

Klaus marques: padre, assim, eu vou pedir desculpas, mas é [sic] ilógico umas coisas aqui.

Padre Robson: Ô, gente. O meu medo nessas coisas aí chama-se… apuração dos fatos. Quando for apurar fatos, olhando nossa contabilidade, olhando nossa contabilidade do Júnior, do Gleison, vão ver que eles deram outra destinação aos valores, que não bate com datas e nem com nenhum tipo de… não tem jeito, gente.

Klaus Marques: Isso aqui é até perigoso ficar num computador.

Padre Robson: Eu estou dizendo é o seguinte. Eu não posso ter isso aqui no meu computador. Eu troco a placa desse “trem” aqui loguinho.

Klaus Marques: Se apreende esse computador… Olha esse tanto de contrato feito, mas não assinado.

Padre Robson: Contrato feito e tudo mais, né, gente? Eu estou enfiando a Afipe em um problema sério.

A reunião durou quase uma hora, segundo a reportagem. Durante o encontro, uma das pessoas diz ter lido o resultado da possível investigação.

Funcionária da Afipe: Vai prender o senhor.

Em outro momento, padre Robson admite que seria o “chefe da quadrilha” e demonstra medo de ser preso.

Padre Robson: Deixa um delegado meio doido começar a fazer pergunta pesada. Ai, gente, eu vou falar para vocês uma coisa. Isso aí é crime organizado.

Klaus Marques: É crime organizado, e o senhor é o chefe.

Padre Robson: E eu sou o chefe da quadrilha.

De acordo com o MPGO, no período da gravação, o padre já era investigado por um suposto desvio das doações dos fiéis à Afipe, que era comandada por ele e gerenciava R$ 2 bilhões arrecadados para a construção do novo Santuário da Basílica de Trindade.

O dinheiro, entretanto, foi utilizado para possiveis investimentos financeiros e compras de imóveis de luxo e fazendas.

Defesas

O advogado Klaus Marques afirmou desconhecer os fatos e que a Afipe foi pautada pela ilegalidade, frisando que agiu dentro da lei.

A Afipe informou que nenhuma pessoa mostrada na reportagem possui ligação com a entidade.


com informações DM

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