Relatório da PF expõe relação entre Moraes e Vorcaro e amplia tensão no STF.

Mensagens extraídas do celular do ex-dono do Banco Master indicam encontros, pedidos de ajuda e contatos com o ministro; material ainda está sob análise e não representa, por si só, comprovação de crime.

Postado em 02/09/2026
Relatório da PF expõe relação entre Moraes e Vorcaro e amplia tensão no STF.
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Por Síbylle MachadoComercial

Novas informações extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, colocaram o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes no centro de uma nova controvérsia envolvendo as investigações sobre a instituição financeira.

Relatórios da PF tornados públicos apontam mensagens, registros de encontros e documentos que indicam uma relação de proximidade entre Vorcaro e Moraes entre 2024 e 2025. Segundo a investigação, o ex-banqueiro teria procurado o ministro em momentos em que tentava acompanhar e conter o avanço de apurações envolvendo o Banco Master.

A divulgação do material provocou repercussão dentro do próprio STF e levou o ministro André Mendonça, relator de investigações relacionadas ao Banco Master, a pedir que o plenário da Corte analise a situação.

Mensagens mostram pedidos de ajuda de Vorcaro

De acordo com a Polícia Federal, mensagens encontradas no aparelho indicam que Vorcaro teria perguntado a um interlocutor identificado pelos investigadores como possivelmente sendo Moraes sobre o andamento das investigações.

Em uma das conversas, o empresário teria questionado se deveria deixar o país. Em outras, pediu auxílio envolvendo pessoas identificadas como “Andrei” e “Paulo”, que a PF relaciona ao então diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Não há, até o momento, comprovação divulgada de que os pedidos feitos por Vorcaro tenham resultado em interferência efetiva de Moraes, Gonet ou integrantes da Polícia Federal.

Especialistas também destacam que o recebimento de mensagens ou a existência de contatos pessoais, isoladamente, não configuram crime. Eventual responsabilização dependeria da comprovação de atos concretos praticados para favorecer interesses privados.

PF aponta pelo menos seis encontros

As informações analisadas pela PF indicam ainda ao menos seis encontros entre Vorcaro e Alexandre de Moraes.

Os registros fazem referência a reuniões entre fevereiro de 2024 e abril de 2025, algumas delas intermediadas pelo ex-ministro das Comunicações Fábio Faria.

Em uma das mensagens recuperadas, Vorcaro agradeceu ao ministro após um encontro e afirmou ter uma “dívida de vida” com ele, segundo relatório policial.

A própria documentação, porém, não confirma que todos os encontros mencionados nas mensagens efetivamente tenham ocorrido.

Contrato do escritório da esposa de Moraes também é analisado

Outro ponto que ganhou destaque é a relação comercial entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, comandado por Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

A PF encontrou metadados em uma minuta de contrato de aproximadamente R$ 131 milhões que indicam acesso ou alteração do documento por um perfil identificado como “Ministro Alexandre de Moraes”.

O escritório confirmou que Moraes foi consultado antes da assinatura, mas apresentou uma explicação diferente para o registro.

Segundo a banca, o setor de compliance pediu ao ministro que verificasse se existia algum impedimento legal, como processos de interesse do Banco Master sob sua relatoria no STF.

O escritório afirma que não houve atuação perante o Supremo em causas do banco e que Moraes nunca julgou processos envolvendo a instituição.

PGR questiona validade da investigação

A divulgação do relatório também abriu uma disputa jurídica sobre a forma como as informações foram obtidas e analisadas.

O procurador-geral Paulo Gonet pediu a anulação do relatório que envolve autoridades, argumentando que a apuração teria avançado sobre integrantes do STF e da PGR sem a autorização prévia exigida.

André Mendonça, por outro lado, pretende levar a questão ao plenário do Supremo para que os ministros decidam como o material deverá ser tratado.

O presidente da Corte, Edson Fachin, afirmou nesta quarta-feira (2) que o STF analisará os fatos e adotará as providências consideradas cabíveis, defendendo serenidade e preservação da integridade institucional.

Relatório ainda é preliminar

Outro ponto importante é que o material divulgado até agora não encerra a investigação.

Segundo informações sobre a perícia, o relatório foi produzido a partir da análise de um dos aparelhos de Vorcaro, enquanto outros dispositivos ainda podem ser examinados. O documento também não é apresentado pela própria investigação como conclusão definitiva sobre eventual prática criminosa.

O caso deverá continuar sendo analisado pela Polícia Federal, pela Procuradoria-Geral da República e pelo próprio STF.

Até que haja uma conclusão formal das autoridades competentes, as informações reveladas devem ser tratadas como elementos de investigação e indícios, e não como prova definitiva de crime praticado pelo ministro ou pelas demais autoridades citadas.