Santiago Peña renuncia à Presidência do Paraguai em meio a crise bancária e pressão por impeachment.

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, apresentou sua renúncia ao cargo nesta quinta-feira (5), em meio a uma grave crise financeira envolvendo o Ueno Bank e ao avanço de um processo de impeachment no Congresso Nacional.

Postado em 05/11/2026
Santiago Peña renuncia à Presidência do Paraguai em meio a crise bancária e pressão por impeachment.
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A decisão provocou uma reviravolta política no país e abriu caminho para a sucessão pelo vice-presidente Pedro Alliana.

Em uma declaração divulgada nas redes sociais, Peña afirmou que tomou a decisão pensando na estabilidade do país, na paz social e na preservação das instituições democráticas. O presidente também pediu desculpas à população e manifestou preocupação com os paraguaios que tiveram seus recursos bloqueados após a intervenção na instituição financeira.

 

Crise do Ueno Bank desencadeou turbulência política

O principal fator por trás da crise é a situação do Ueno Bank, uma instituição financeira digital que sofreu intervenção do Banco Central do Paraguai após problemas relacionados à sua solvência.

A medida deixou aproximadamente 3 milhões de clientes sem acesso às contas, incluindo pessoas que mantinham economias, recebiam salários ou tinham benefícios depositados na instituição. O número representa quase metade da população paraguaia.

Segundo informações divulgadas pela imprensa internacional, a fiscalização identificou problemas na documentação de operações de crédito, empréstimos a empresas ligadas aos controladores e inconsistências na contabilização de ativos. Após os ajustes nas demonstrações financeiras, o capital do banco ficou abaixo do mínimo exigido pelas regras do país.

 

A instituição também administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores vinculados a fundos de aposentadoria e saúde.

Relação de Peña com o banco gerou questionamentos

A crise ganhou dimensão política porque Santiago Peña teve participação societária no Grupo Vázquez, conglomerado que controlava o Ueno Bank. O vínculo permaneceu até março de 2025, segundo informações da Reuters.

A oposição passou a questionar possíveis conflitos de interesse, a destinação de recursos públicos à instituição e a atuação dos órgãos responsáveis pela fiscalização bancária.

O presidente do Banco Central do Paraguai, Carlos Carvallo, também deixou o cargo durante a crise. Oito executivos da instituição foram detidos no decorrer das investigações, que apuram possíveis irregularidades financeiras.

Peña negou envolvimento em irregularidades e afirmou que eventuais responsabilidades devem ser apuradas pelas autoridades competentes.

 

Câmara aprova impeachment de Peña e rejeita pedido contra Alliana

Mesmo após o anúncio da renúncia, a Câmara dos Deputados deu continuidade à sessão e aprovou, por unanimidade, a abertura do processo de impeachment contra Santiago Peña. Foram 78 votos favoráveis.

Em outra votação, os parlamentares rejeitaram o pedido de impeachment contra o vice-presidente Pedro Alliana. O resultado foi de 48 votos contrários à acusação e 30 favoráveis, permitindo que ele permaneça na linha de sucessão presidencial.

A decisão sobre Peña ainda depende da análise do Senado, que deverá avaliar tanto a renúncia quanto os desdobramentos do processo de impeachment.

 

Pedro Alliana deve assumir a Presidência

Com a renúncia de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana é o sucessor constitucional e deverá assumir o comando do Paraguai, caso o Congresso confirme a saída do atual presidente.

A previsão é que Alliana complete o mandato presidencial, que termina em agosto de 2028. A sucessão ocorre em meio a um cenário de instabilidade política e pressão da população para que os recursos bloqueados no Ueno Bank sejam recuperados.

O caso também levanta preocupações sobre a fiscalização do sistema financeiro paraguaio e a relação entre instituições privadas e recursos públicos.

 

A crise representa um dos momentos mais delicados da política paraguaia nos últimos anos, reunindo instabilidade bancária, questionamentos sobre a gestão pública e uma mudança inesperada no comando do Poder Executivo.

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