Grupo Casas Bahia fecha 298 lojas em meio a reestruturação e pedido de recuperação judicial.

Corte representa quase 30% da rede física; companhia tenta reduzir despesas e reorganizar dívida de R$ 17,3 bilhões.

Postado em 19/08/2026
Grupo Casas Bahia fecha 298 lojas em meio a reestruturação e pedido de recuperação judicial.
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Por Síbylle MachadoComercial

O Grupo Casas Bahia atravessa uma das maiores reestruturações de sua história recente. A companhia fechou 298 lojas em diferentes regiões do Brasil, movimento que representa aproximadamente 29% de sua rede física, ao mesmo tempo em que busca reorganizar suas finanças e reduzir custos.

Antes da nova rodada de fechamentos, dados divulgados pelo próprio grupo indicavam que, em maio de 2026, a companhia possuía 1.039 lojas físicas, sendo 922 da bandeira Casas Bahia e 117 do Ponto.

Os encerramentos ganharam força entre os dias 13 e 14 de agosto e atingiram unidades espalhadas pelo país. A empresa, no entanto, não divulgou publicamente uma relação nacional completa indicando quais das 298 lojas foram fechadas em cada estado e município.

Goiás tinha 40 unidades do grupo antes dos cortes

Em Goiás, os dados mais recentes disponíveis no site de Relações com Investidores da companhia apontavam, em maio, 38 lojas Casas Bahia e duas unidades do Ponto, totalizando 40 estabelecimentos do grupo no estado.

Até o momento, não foi apresentada pela companhia uma lista oficial detalhando quantas dessas unidades goianas fazem parte do novo pacote de fechamentos.

Por que tantas lojas estão sendo fechadas?

A redução da operação física faz parte de uma tentativa de tornar a companhia mais enxuta e concentrar recursos em negócios e canais considerados mais rentáveis.

O movimento acontece em um cenário financeiro bastante delicado. No segundo trimestre de 2026, o Grupo Casas Bahia registrou prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões. Parte expressiva desse resultado está relacionada a baixas e ajustes contábeis, mas a companhia também enfrenta pressão provocada por juros elevados, crédito mais restrito, custos financeiros e dificuldades para sustentar seu capital de giro.

A redução de lojas não começou agora. Nos últimos anos, o grupo já vinha encerrando operações consideradas pouco rentáveis. Em abril, a própria companhia informou ter fechado 22 lojas ao longo dos dois anos anteriores como parte de sua estratégia de disciplina de capital.

A diferença é que a rodada de agosto foi muito maior e ocorreu praticamente de uma só vez.

Grupo pediu recuperação judicial

Na segunda-feira (17), poucos dias depois dos fechamentos, o Grupo Casas Bahia protocolou na Justiça de São Paulo um pedido de recuperação judicial.

Segundo documentos apresentados no processo, a companhia busca reorganizar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas sujeitas à recuperação. O pedido envolve empresas do grupo e tem como objetivo permitir a renegociação de obrigações e preservar a continuidade das operações.

Recuperação judicial não significa falência nem encerramento de todas as Casas Bahia. Trata-se de um mecanismo previsto em lei para empresas que enfrentam dificuldades financeiras negociarem dívidas enquanto continuam funcionando.

O CEO Renato Franklin afirmou que a recuperação deve ser encarada como um instrumento para reorganizar os passivos e manter as atividades da companhia. A estratégia prevê uma operação menor, maior preservação de caixa e concentração em canais considerados mais rentáveis.

Milhares de trabalhadores foram atingidos

A redução da rede também provocou uma grande onda de desligamentos.

As primeiras informações apontavam aproximadamente 1,9 mil trabalhadores demitidos, enquanto outras estimativas indicavam que os cortes poderiam chegar a cerca de 3 mil funcionários.

Nesta quarta-feira (19), entretanto, a situação ganhou um novo capítulo.

A Justiça do Trabalho determinou o restabelecimento provisório dos contratos dos trabalhadores atingidos pelas demissões coletivas, após questionamento sobre a ausência de negociação prévia com entidades sindicais.

A decisão também impede novos desligamentos coletivos sem negociação prévia.

A determinação não obriga a Casas Bahia a reabrir as 298 lojas. Os funcionários poderão precisar ser realocados ou permanecer afastados nas condições determinadas judicialmente enquanto o impasse trabalhista é discutido.

Lojas restantes e vendas online continuam funcionando

Apesar da crise, o fechamento de 298 unidades não representa o fim da Casas Bahia.

A empresa continua com mais de 700 pontos físicos, além de manter suas operações digitais. A companhia afirma que busca preservar as atividades e manter o abastecimento e atendimento aos clientes durante o processo de reestruturação.

O comércio físico continua sendo relevante para a rede. Em 2025, as lojas responderam por 67,6% da receita bruta, embora a companhia também tenha registrado crescimento em seu canal digital.

E quem comprou nas Casas Bahia?

O pedido de recuperação judicial não elimina os direitos dos consumidores.

Compras já realizadas, garantias, entregas e demais obrigações continuam sujeitas às regras do Código de Defesa do Consumidor. Da mesma forma, quem possui carnê ou financiamento deve continuar realizando os pagamentos normalmente.

A empresa afirma que suas operações seguem funcionando enquanto busca uma solução para a crise financeira.

O que ainda não se sabe

Um dos principais pontos que permanecem sem esclarecimento público detalhado é a relação completa das 298 lojas fechadas por município e estado.

Também não está definido como ficará, de forma definitiva, o quadro de trabalhadores após a decisão da Justiça do Trabalho.

O cenário ainda pode mudar nos próximos dias conforme avançam o processo de recuperação judicial, as negociações com credores e as discussões trabalhistas.

Situação atualizada em 19 de agosto de 2026.

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